A prefeita de Barra do Piraí, Katia Miki (SD), ingressou com ação civil pública na Justiça Federal visando medidas emergenciais em prol da BR-393. Buracos, falta de sinalização e de socorro, que vêm ocasionando acidentes pela via, são algumas das adversidades por que passam aqueles que precisam se locomover por aquela estrada; a ação de Miki visa acionar o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT), para que intervenha de maneira imediata. O processo tramita na 1ª Vara de Barra do Piraí e tem valor de R$ 1 milhão.
Em paralelo, a prefeita participa no dia 14 de abril de audiência pública na Comissão de Viação e Transportes, em Brasília, em que pretende pressionar por soluções concretas. Katia lamenta o fato de a BR-393 não ter uma concessionária na administração há algum tempo e que, assim, os municípios cortados por aquela estrada vêm sofrendo. "A gente teve que assumir serviços como ambulância, remoção de animais e até manutenção em alguns pontos, mesmo sem ter estrutura para isso. Não estamos falando de grandes obras. Estamos falando do mínimo: condições de trafegabilidade e segurança para quem utiliza essa rodovia todos os dias”, explica.
Quem usa as estradas?
Em 2025, o DNIT assumiu a rodovia desde a caducidade da antiga empresa responsável. A falta de pedágio e o aumento do fluxo de veículos pesados fez a pista se deteriorar, apresentando buracos. Outro problema apontado é a falta de poda da vegetação que margeia a via, o que faz o percurso ser acrescido e redobrado de preocupação, como pontua o caminhoneiro José Carlos Pereira. “Tem trecho que não dá pra desviar. À noite é pior ainda. A gente vai na sorte, tentando não cair em buraco e torcendo pra não acontecer algo mais grave”, aponta
Outro que se utliliza da BR de maneira rotineira é Marcos Vinícius da Silva. Ele é morador do distrito da Califórnia, se vale da estrada para seu percurso de trabalho, mas evita viajar com a família. "A gente vê acidente direto. Fica aquela sensação de que pode acontecer com a gente a qualquer momento”, preocupa-se ele, que acompanha as notícias em alerta.
E os municípios?
Katia Miki lembrou que, sem a concessionária, é de responsabilidade dos municípios a função emergencial. Ambulâncias são deslocadas das cidades para atender a acidentes, impactando ocorrências no ambiente urbano. “Quando a gente mobiliza uma ambulância para a rodovia, desguarnece o atendimento dentro do município. E isso tem acontecido com frequência, porque os acidentes aumentaram muito”, relaciona, destacando, assim, que nenhuma cidade tem capacidade de assumir a gestão da BR-393. “A extensão é muito grande, os problemas são muitos e nenhum município tem condição financeira ou logística de absorver esse tipo de serviço”, lista Miki.
Vale a lembrança de que, em janeiro deste ano, representantes do governo federal apresentaram proposta de contrato emergencial para manutenção da rodovia, mas nada foi feito e, na prática, a situação é de abandono, o que aumenta o risco. "As pessoas saem de casa sem saber se vão conseguir voltar. Isso motivou a gente a entrar com essa ação”, justifica.
“Depois de tanto tempo tentando diálogo, essa foi a medida que encontramos para buscar uma solução. A gente espera que a Justiça e o governo federal tomem providências urgentes. Não vamos recuar. Vou seguir cobrando e agindo até que a BR-393 tenha a estrutura e a segurança que a população merece”, conclui.