Política

Relatório conclui que JK foi morto pela ditadura

Possibilidade de um atentado político faz com que seja cogitado que o acidente que matou o ex-presidente teria sido provocado

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Nesta sexta-feira, 29, foi aprovado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), um relatório que concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar, em meio a perseguição política. Oficialmente, o óbito se deu em virtude de um acidente automobilístico que JK sofrera na via Dutra, à altura de Resende, em 22 de agosto de 1976; cogita-se uma possível sabotagem ao Opala do qual JK estava a bordo. A informação é da Agência Brasil.
A aprovação foi obtida por seis votos. Uma abstenção foi registrada e, agora, a comissão, um organismo do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), articula a retificação da certidão de óbito de Juscelino. Desde 2024, há um trabalho que contesta que a morte do ex-presidente tenha se dado pura e exclusivamente em virtude do sinistro, a partir de elementos públicos como um inquérito instaurado pelo Ministério Público em 2019.
“A premissa na qual muitos se baseavam para justificar o acidente como fatalidade, ou seja, a batida de um ônibus na traseira do veículo, jamais ocorreu”, diz nota do MP. Por sua vez, embora a Comissão Nacional da Verdade descarte um acidente provocado, as unidades de São Paulo e Minas Gerais defendem que a morte foi um atentado político. 

Por quê?
Ocupante da presidência da República de 1956 a 1961 e conhecido pelo lema "50 anos em 5", vislumbrando o crescimento do país, Juscelino Kubitschek não era um "comunista", "esquerdista" ou qualquer "ista" visto como contrário aos interesses dos militares. À época, ele era senador e visto como um forte nome para voltar ao Executivo nacional. JK, inclusive, apoiou a chegada dos militares ao poder. 
Dois anos depois do regime, entretanto, ele apoiou um movimento chamado Frente Ampla, visando a redemocratização do país, ao lado de João Goulart (justamente o presidente deposto pelos militares) e Carlos Lacerda. A esta altura, o favoritismo e carisma (que o dotavam como um nome forte, conforme o supracitado) do político era visto como ameaça. À altura em que faleceu, Juscelino já tivera seus direitos políticos cassados e se exilara nos Estados Unidos e na Europa, voltando ao Brasil em 1967, já como um opositor.
O entendimento era de que sendo o ex-presidente uma figura popular, ele poderia atrair apoio contra a própria ditadura.