Após mais de 50 anos, uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo identificou a cela na qual foi simulado o suicídio do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado no dia 25 de outubro de 1975 no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo, órgão de repressão subordinado ao Exército e atuante durante a ditadura militar. A imagem de Vlado rodou o mundo, como um símbolo da barbárie durante o regime. As informações são da Agência Brasil.
De acordo com a doutora em História e pós-doutoranda da Unifesp, Deborah Neves, é de relevância histórica e jurídica esta identificação. “Localizar materialmente o espaço onde a ditadura encenou o falso suicídio de Vladimir Herzog permite demonstrar, com base em evidências científicas, a materialidade de fraudes cometidas por agentes do Estado. Trata-se de reconhecer o lugar onde se construíram mentiras oficiais que marcaram a história brasileira e que só agora, 50 anos depois, foi possível revelar, graças à preservação garantida pelo tombamento e às pesquisas históricas, arqueológicas e arquitetônicas no espaço, feitas por universidades públicas”, disserta.
O local era, até agora, incerto, mas foi identificado com base em evidências documentais, periciais e arquitetônicas, além da preservação das características estruturais. Herzog foi pendurado em uma cela no primeiro andar, localizada no prédio dos fundos do conjunto onde, atualmente, está a 36ª Delegacia, na rua Tutóia, 921.