28 de maio é Dia Internacional da Dignidade Menstrual, que visa promover a discussão e combater o estigma e a pobreza menstrual. Em lembrança à data, nesta quinta-feira o Instituto Alana revelou dados sobre a relação entre a fase estudantil e este período do mês, ou mais especificamente como seus sintomas afetam a frequência na escola. Foram ouvidas 2,5 mil estudantes em todo o país, assim como 303 docentes e 181 gestores públicos. As informações são da Agência Brasil.
Entre as estatísticas, o perfil médio afetado pela menstruação é negro. Meninas negras perdem até 1,5 vezes mais dias de aula do que meninas brancas. 14,5% de alunas negras faltam de dois a cinco dias por sintomas menstruais, enquanto estes sinais afetam 9,6% de alunas brancas.
De acordo com a porta-voz do Instituto Alana, Sofia Reinach, o dado, assim como o relato de que meninas negras, sentem menos dores mais fortes, na verdade subestima uma outra questão: de que estas meninas são ensinadas a normalizar suas dores.
“As meninas negras nomeiam menos a sua dor como forte. Aparentemente, elas têm um limiar de dor maior, portanto, reconhecem menos como uma dor incapacitante. Mas, na prática, o impacto da dor as tira de suas atividades e da escola”, argumenta.
Reichman completa que é necessário que esta percepção mude. "Os ouvidos dos profissionais têm que estar mais atentos. A escola deve fazer parte de uma rede de cuidado”, indica.
Quanto aos sintomas, o que mais incapacita alunas a ir à escola é a cólica, citada por 57,7% das entrevistadas. Outros mencionados foram cansaço e dores no corpo (30,1%), dores de cabeça (28%) e de barriga (20,1%), vergonha e medo do vazamento (19,3%) e falta de um banheiro ou produtos de higiene (8,2%).
Outra estatística revelada pelo instituto é a menarca (primeira menstruação) precoce. 65,2% das meninas ouvidas revelaram que o marco aconteceu aos 11 anos, enquanto 36,5% menstruaram pela primeira vez aos dez anos. A prevalescência da menarca precoce apareceu nas regiões Nordeste (45,5%), Sul (43,9%) e menos no Centro-Oeste (16,1%).