Cultura

35 anos sem Gonzaguinha

Cantor, compositor e herdeiro de Luiz Gonzaga se foi em acidente automobilístico; Ecad divulga músicas mais tocadas e gravadas do artista

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Nesta quarta-feira, 29, se completam 35 anos do falecimento de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha. Ele se foi aos apenas 45 anos, em virtude de um acidente de trânsito, quase dois anos após a partida de seu pai, Luiz Gonzaga, o Gonzagão, em momento em que se reconciliava com o patriarca. Gonzaguinha colidira seu carro contra uma caminhonete que vinha em conversão proibida, na estrada entre as cidade de Renascença e Marmeleiro, ambas no Paraná, quando voltava de um show em Pato Branco.
Nascido no Rio de Janeiro em 22 de setembro de 1945, Gonzaguinha fora adotado por Luiz Gonzaga ainda na barriga da mãe, Odaléia. Separaram-se quando o menino era pequeno; com a doença da mãe e os compromissos do pai, fora criado por seus padrinhos e se sentia rejeitado pelo genitor. A madrasta, Helena, não aceitou criar a criança (que à época tinha apenas dois anos), por não querer ligações com o passado de Gonzagão, sempre o lembrando que o parentesco não seria biológico.
Além da criação de Gonzaguinha, o ingresso na carreira artística e o viés de protesto de suas letras foram outros motivos para a cisão de pai e filho. O "Velho Lua" defendia que o filho usasse "anel de doutor" (e o garoto, de fato, chegou a estudar Economia na Universidade Cândido Mendes) e dizia que o herdeiro cantava "música de comunista".
Além da censura de 54 de suas canções, o viés de letras como "Comportamento Geral", seu primeiro grande sucesso, e "Piada Infeliz" lhe rendeu o pejorativo apelido de "cantor rancor". Na segunda metade da década de 70, o momento político do país o fez adotar um tom ameno em suas composições, tais como "Feliz" e "O Que é, o Que É". 
Gonzaguinha viveu seus últimos anos de vida em Belo Horizonte e deixou quatro filhos: os cantores Daniel Gonzaga, Amora Pêra e Fernanda (conhecida como Nanan) e a professora Mariana.

Ecad presta homenagem a Gonzaguinha
A trajetória de Gonzaguinha foi homenageada pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), que divulgou dados sobre suas obras cadastradas. Foram 309 obras musicais e 372 gravações. Uma curiosidade é que tanto suas músicas mais gravadas quanto as mais tocadas são assinadas apenas pela caneta do herdeiro do Rei do Baião e, no pódio, a primeira ("O Que é, o Que é") e a terceira ("Sangrando") se repetem; a diferença é que a segunda mais gravada do artista é "É" (com o perdão do trocadilho!) e a segunda mais tocada, "Lindo Lago do Amor". 
Em outras posições de ambos os tops, aparecem sucessos como "Começaria Tudo Outra Vez", "Explode Coração" e "Espere por Mim, Morena".